15 – Penas e gozos terrenos

FELICIDADE E INFELICIDADE RELATIVAS
“O homem pode gozar na Terra uma felicidade completa? Não, pois a vida foi lhe dada como prova ou
expiação, mas dele depende abrandar os seus males e ser tão feliz quanto pode ser na Terra” (LE. 920)
Na maioria das vezes o homem é o artífice da sua própria infelicidade. Se praticasse a lei de Deus, livrar-se-ia de
muitos males e gozaria da felicidade tão grande quanto o comporta a sua existência num plano grosseiro.
O homem ciente do seu destino futuro vê, na existência corpórea, apenas uma rápida passagem; ele consola-se
facilmente depois de alguns aborrecimentos passageiros.
Recebemos, nesta vida, os efeitos das infrações que cometemos as leis da existência corpórea, pelos próprios
males decorrentes dessas inflações e pelos nossos próprios excessos. Se remontarmos, pouco a pouco, a origem
do que chamamos infelicidade terrena, veremos esta como conseqüência de um primeiro desvio do caminho
certo. Em virtude desse desvio inicial, entramos num mau caminho e, de conseqüência em conseqüência, caímos
no infortúnio.
A felicidade terrena é relativa à posição de cada pessoa. Entretanto, podemos dizer que há uma medida comum
de felicidade para todos os homens, expressa da seguinte forma: para a vida material, é a posse do necessário;
para a Vida moral, a consciência pura e a fé no futuro.
Todavia, a medida do necessário e do supérfluo varia segundo as pessoas. Há algumas que têm muito e acham
que não têm aquilo de que necessitam, enquanto outras se contentam com o pouco. “O homem criterioso, a fim
de ser feliz, olha sempre para baixo e não para cima, a não ser para elevar sua alma ao infinito.”
Os males que dependem da maneira de agir, e que ferem o homem mais justo, devem ser encarados com
resignação e sem queixas para se poder progredir. Este homem tira sempre uma consolação da sua própria
consciência, que lhe da a esperança de um futuro melhor.
Aos olhos de quem apenas vê o presente, certas pessoas parecem favorecidas pela fortuna sem o merecer.
Porém, a fortuna é uma prova, geralmente mais perigosa do que a miséria.

 

DECEPÇÕES, INGRATIDÃO E QUEBRA DE AFEIÇÕES
“Para o homem de coração, as decepções oriundas da in gratidão e da fragilidade dos laços da amizade são
também uma fonte de amargura.” Porém, devemos lastimar os ingratos e os infiéis; serão muito mais infelizes. A
ingratidão é filha do egoísmo e o egoísta topará com corações insensíveis, como o seu próprio o foi.
O bem deve ser praticado sem exigências; a ingratidão é uma prova à nossa perseverança no exercício do bem.
Os ingratos serão punidos na proporção exata do seu egoísmo. Por isso, o homem não deve endurecer o seu
coração e tomar-se insensível ao topar com a ingratidão. Ao contrário, deve sentir-se feliz pelo bem que faz.
Às vezes, a ingratidão lhe fere o coração, porém, não deve preferir a felicidade do egoísta e tomar-se indiferente
pela ingratidão que recebe: “saiba, pois, que os amigos ingratos não são dignos de sua amizade e que se
enganou a respeito deles. Assim sendo, não há de que lamentar o tê-los perdido. Mais tarde achará outros que
saberão compreendê-los melhor.” Os ingratos merecem ser lastimados, pois bem triste se lhes apresentara o
reverso da medalha.
“A natureza deu ao homem a necessidade de amar e de ser amado. Um dos maiores gozos que lhe é concedido
na Terra é o de encontrar corações que com o seu simpatizem. Dá-lhe ela, assim, as primícias da felicidade que o
aguarda no mundo dos espíritos perfeitos, onde tudo é amor e benignidade. Desse gozo está excluído o
egoísta.”

 

UNIÕES ANTIPÁTICAS
Como podemos observar acima, os espíritos simpáticos buscam-se reciprocamente e procuram unir-se. Todavia,
é muito freqüente que entre os encarnados na Terra, a afeição exista sé de um lado e o mais sincero amor se
veja colhido com indiferença e até com repulsão. E, além disso, encontramos situações em que a mais viva
afeição de dois seres se transforma em antipatia e mesmo em ódio.
Estas ocorrências, sob o ponto de vista da lei moral, constituem uma punição passageira. Além disso, “quantos
não são os que acreditam amar perdidamente porque apenas julgam pelas aparências, e que, obrigados a viver
com a pessoa amada, não tardam a reconhecer que só experimentaram um encantamento material!”.

 

Confira a aula completa:

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